SUSTENTABILIDADE NA BÍBLIA
Em Gênesis 1. 26 - 31, Deus cria o homem e faz com ele uma aliança, um pacto, um acordo de relacionamento. Deus também dá ao homem (Adão) a escolha de permanecer ou não em sua presença. Ele coloca no meio do Jardim do Éden a árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 2. 16 e 17). O Senhor alerta Adão sobre as consequências de comer do fruto dessa árvore.
Deus coloca diante de Adão escolhas, responsabilidades, privilégios e deveres. Ele não estava preso ou programado para coisa alguma, o Senhor deu a ele a mobilidade de escolha (o que os teólogos chamam de livre arbitrio). Cada responsabilidade estava atrelada a um privilégio. O homem podia dominar sobre toda a terra, animal, planta e meio ambiente, mas ele deveria exercer sua responsabilidade de mordomia para com o meio que habitava.
Com a desobediencia do homem (a escolha de comer da árvore do conhecimento do bem do mal) o pecado entrou na humanidade. Com ele o distanciamento de Deus, o reinado do egocentrismo humano e a falta de mordomia (cuidado, zelo) nas coisas que Deus deu ao homem, como por exemplo a natureza e o meio ambiente como um todo.
Vamos fazer ligação dessa narrativa bíblica e um tema atual, a sustentabilidade. Amplamente mencionada hoje em dia, a sustentabilidade pode parecer algo novo, mas a Bíblia em seu todo sempre alertou sobre esse conceito. E não somente a sustentabilidade ambiental (conforme Gênesis 1. 26 ao 31 ), mas também a sustentabilidade social e economica. Quando falamos de Sodoma e Gomorra, cidades conhecidas por suas maldades e pecados (Gênesis 13:13), pensamos diretamente em sua imoralidade e devio sexual. No entanto, não eram somente desse tipo de pecado que Sodoma e Gomorra eram reús. O governo oprimia o povo e a desigualdade social e economica assolava os pobres, isso despertou a ira de Deus. O governo dessas cidades não pensavam no que poderiamos chamar hoje de sustentabilidade social.
Em Levítico Deus ordena a seu povo que não colha todo o fruto das vinhas, mas que deixe alguns frutos para os pobres e estrangeiros que necessitaram de suprimento (Levitico 19. 10). A bíblia aponta em diversos pontos conceitos de sustentabilidade, Deus luta contra o egocentrismo humano desde a queda do homem. E exatamente esse egocentrismo que inviabiliza a sustentabilidade em seus três ambitos.
Aline Sol
Aline Sol
Ecoteologia e responsabilidade cristã
Deus criou todas as coisas! Quer acreditemos ou não. A Palavra de Deus em Gn 1 declara isso. Paulo escreve: “Porque Nele (em Cristo), foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e invisíveis, sejam tronos, soberanias, poderes e autoridades; todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele” (Cl 1:16).
Com isso, aprendemos que o Senhor Deus fez tudo que existe, para Sua própria glória e isso significa que Ele tem um cuidado especial com toda a Sua criação. Neste sentido e com este propósito, o cristianismo tem uma responsabilidade muito grande como agente de transformação na e da sociedade. Na sociedade, partindo do princípio que estamos inseridos num contexto específico, cada região da cidade, cada estado da nação, cada país do mundo tem suas características próprias, que devem ser levadas em consideração na hora de se desenvolver um trabalho que seja relevante e produtivo. Da sociedade, visando o engajamento total no intuito de, em diálogo com as demais instituições e agências de promoção dos direitos e da dignidade, criar meios e estratégias para, se não acabar, pelo menos diminuir os problemas por ela enfrentados. Ser agente de transformação é, em primeira instância, como discípulos de Cristo, carregando o nome cristão no peito, trazer todas as coisas ao senhorio de Cristo. Mas o que isso significa?
Vejamos:
Povo, cultura, terra e governo. Tudo pertence a Deus e deve voltar para Deus. Todas as pessoas da Terra são alvo da salvação divina. “Deus amou o ser humano de tal maneira, que enviou Seu filho, para que todo aquele que Nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). Jesus nos comissionou a “pregar o evangelho até o último da Terra” (Mc 16:15).
Povo, cultura, terra e governo. Tudo pertence a Deus e deve voltar para Deus. Todas as pessoas da Terra são alvo da salvação divina. “Deus amou o ser humano de tal maneira, que enviou Seu filho, para que todo aquele que Nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). Jesus nos comissionou a “pregar o evangelho até o último da Terra” (Mc 16:15).
Mas não só o povo, ou seja, as pessoas, como também as culturas. A igreja tem a função de restaurar a cultura dos povos para que elas sejam saradas e glorifiquem a Deus com suas características próprias e sua singularidade. O Evangelho está acima da cultura, apesar de conter traços culturais orientais, os valores que o Evangelho apresenta, são valores universais, todos os povos, com suas culturas em particular, devem sujeitar-se ao senhorio de Cristo. A Bíblia, em Apocalipse diz que “todas as tribos, povos, raças e línguas se prostrarão diante Dele”. Deus ama a diversidade! Que lindo olharmos para as obras das mãos de Deus e vermos a riqueza de cores, som e formas! Porque será que nós cristãos temos uma tendência forte de querer que todas as pessoas sejam iguais e hajam da mesma forma?
A terra também é alvo da ação e redenção divina. João, no Apocalipse 21:1, nos lembra que toda a criação será recriada por Deus. João chama isso de “novos céus e nova terra”. Deus criou as plantas, os animais e os minerais, mas infelizmente, o ser humano só quer tirar proveito e não pensa na preservação. Na filosofia indígena, toda ação humana, deve ser idealizada e desenvolvida de forma a pensar nos impactos que isso causará nas próximas 9 gerações. Que lindo isso! Como aprendemos com culturas e filosofias que muitos acham atrasadas e não civilizadas. Quem é verdadeiramente civilizado? Aquele que pensa no bem-estar comum ou aquele que só pensa em si, é um egocêntrico, narcisista e homicida? Sim homicida, porque está matando a si mesmo e também as futuras gerações (seus próprios filhos). O filme Uma Verdade Inconveniente mostra claramente o quanto as últimas gerações não pensaram nem um pouco no cuidado com a Terra e por isso hoje, já estamos colhendo os resultados dos erros de nossos antepassados. O que será de nosso futuro, se não melhorarmos nossa reflexão sobre meio ambiente e não mudarmos nossas ações?
Onde está o governo nesta história toda? Ouvi numa palestra semana passada, que o secretário de meio ambiente dos Estados Unidos, ao ser questionado sobre cuidado com o planeta respondeu: ‘Para que eu vou me preocupar com este planeta se ele já está condenado?’ Que mentalidade distorcida a deste cidadão! Uma pesquisa revelou que se todos os habitantes do planeta vivessem com mesmo padrão de vida dos Norte-Americanos, seriam necessários 9 planetas Terra para suportar. Que absurdo!
Romanos 8: 19-23 diz: “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo”.
Uma teologia integral é aquela que pensa na criação de Deus como um todo. O cristão deve trazer os valores do Reino de Deus e torná-los realidade. Deus governa todas as coisas e a igreja ficou responsabilizada por Deus para governar este mundo, de forma que glorifique a Deus e demonstre aqui e agora, os valores do Seu Reino. Nunca teremos um mundo melhor se nós cristãos não assumirmos nossa responsabilidade e não tivermos consciência disso, e pior, se não fizermos a nossa parte, como agentes de transformação da sociedade.